Segundo analistas, hoje a economia mundial é favorável ao crescimento e o Brasil pode se beneficiar. Com o risco país em queda, preços estáveis e melhora geral dos fundamentos econômicos, acredita-se que a hora é de olhar para frente e acelerar, deixando para trás no retrovisor a imagem do crescimento pífio do PIB em 2005, na casa de 2,3%. Esta é a hora, também, para a madeira preservada. O crescimento à vista foi apontado em estudo técnico do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado no caderno especial intitulado “Novo mapa do Brasil”, encartado no jornal O Estado de São Paulo. A preservação de madeira é parceira de pelo menos quatro setores apontados nesse estudo como virtuais locomotivas do crescimento sustentado no país. Trata-se dos setores ferroviário, do agronegócio, elétrico e da construção civil.Em matéria de ferrovias, está em jogo parte importante da modernização da infra-estrutura nacional. Entre os principais projetos, destacam-se a Nova Transnordestina, novo corredor com 1.860 quilômetros ligando Eliseu Martins (PI), e os portos de Suape (PE) e Pecém (CE). A ferrovia Norte-Sul é alternativa de logística em regiões do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso, com 186 quilômetros a serem construídos até o final de 2006. No contorno ferroviário de Cachoeira do Sul e São Félix, na Bahia, outros 17 quilômetros. Ao todo, somente estes projetos representam oportunidade para quase 3,3 milhões de dormentes de madeira tratada.No campo do agronegócio, oportunidades para mourões e outros equipamentos de madeira tratada também se multiplicam. Nos últimos dez anos, as exportações do agronegócio nacional cresceram 45% em volume e 134% em valor. Este resultado foi obtido com investimentos, a partir de 1960 e 1970, em infra-estrutura agrária e formação de geradores de tecnologia. A competência tecnológica verde-amarela em campos como o da biotecnologia “turbinam” o setor. Especialistas consideram a biotecnologia uma das áreas de conhecimento estratégicas para a economia brasileira. O país gera conhecimento de ponta tanto em algumas pequenas empresas intensivas em conhecimento, quanto no trabalho de fôlego da Embrapa e outras instituições de pesquisa. Para o professor Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, da Esalq/USP, “as exportações, ao invés de competir com o mercado interno, complementam-no: amenizam a queda de preço e viabilizam a produção de larga escala”. No agronegócio, o desempenho e a durabilidade de equipamentos rurais feitos de madeira de reflorestamento tratada, inclusive para fabricação de postes para eletrificação e telefonia, é fundamental para gerar ganhos de competitividade. Sem dúvida, um componente importante para conquistar e ampliar mercados internacionais.No setor elétrico, passado o susto nacional com o risco de “apagão” em 2001, o Brasil investiu em novas usinas para ampliar a geração de energia. Este ano, a expectativa é que mias 6.685 MegaWatts de energia elétrica sejam incorporados ao sistema nacional. Para escoar essa energia foram investidos 1,4 bilhão de reais para a construção de 2.142 quilômetros de linhas novas. Isto, sem contar o plano federa de universalização da eletricidade no País com o programa Luz para Todos que, até 2008, deverá levar energia pára 10 milhões de famílias em todo o País. O orçamento é da ordem de 9,5 bilhões de reais. São oportunidades renovadas para postes de madeira tratada.Finalmente, mas não menos importante, o mesmo relatório retrata o otimismo que tomou conta do setor da construção civil, a partir da ampliação do crédito à classe media para compra da casa própria e redução de IPI para uma cesta de 26 produtos no varejo. Prevê-se também crescimento do emprego, da ordem de 10%. Hoje, o déficit habitacional brasileiro ronda a casa de 5,89 milhões de unidades. As regiões Sul/Sudeste superam 2,1 milhões. Como se vê, as oportunidades para fabricantes de materiais e insumos da construção civil também tendem a se multiplicar. Renova-se a oportunidade para componentes e peças como estruturas, vigas, portas, batentes e esquadrias de madeira tratada. Na construção, nas ferrovias e no agronegócio certamente haverá muito espaço para a madeira em geral e a preservada em particular.
Flavio Carlos Geraldo
Vice-presidente da ABPM (Associação Brasileira de Preservadores de Madeira)